sexta-feira, junho 08, 2007

Chamem-me insensível...

É verdade! chamem-me insensível e coração de pedra. Mas o facto é que faz hoje uma semana que estive a trabalhar com um grupinho "adorável" de criancinhas dos 5 aos 11 anos de idade.

O que tem isto a ver com ser insensível? Bem, aprendi na última 6ª feira que não podemos deixar os diabretes fora de olho 1 nanosegundo que seja. Pergunto-me eu agora, e a vocês também se não for incómodo, como è que aqueles dois senhores (por muito que lhes tenha empatia por ficarem sem a filha) saem do quarto de hotel, num pais que não conhecem, e deixam três crianças sózinhas???!!! Onde é que estavam com a puta da cabeça enfiada?

Irrita-me, enerva-me, frusta-me. Especialmente ver como o facto de ser um caso internacional por envolver cidadãos ingleses, influencia todo o tratamento e atenção que é dada à pobrezita da Maddie. Então e o Rui Pedro? e a Joana que até hoje não se sabe se ainda está viva ou não?

É preciso ser solidário e introspectivo SEMPRE! não é quando os noticiários rebentam com um novo caso escandaloso. É preciso olhar para as crianças, mas olhar mesmo. Tomar atenção ao que fazem, por onde andam, com quem se cruzam, desenvolver uma relação de confiança para que a criança não tenha receio de contar nada aos pais. Principalmente NÃO deixar crianças pequenas sem vigilância de um adulto. Porque não se faz! Simplesmente não se faz!

Sei que demorei a falar disto mas estava à espera que a poeira baixasse.



até mais.

quarta-feira, maio 23, 2007

Pedaços

Bocadinhos de mim... Espalhados pelo chão, acumulados em todos os cantos. Desorganizados e perdidos como se ninguém se preocupasse...

Preocupar-me-ia... Gostava de me preocupar... Tento em vão, procurá-los...

Uns dias salto entre espaços vazios, outros flutuo para os ver melhor, noutros, ainda, ando na ponta dos pés com medo de pisar algum... E depois há aqueles dias, em que me limito a arrastar os pés, na tentativa de tropeçar em algum... Na esperança de nada.

Uns dias eles brincam às escondidas comigo, outros ficam imóveis, estáticos querendo ser apanhados... E noutros ainda, desesperados por eu não os ver, por ter perdido o seu interesse, acenam-me, saltam e rodopiam à minha frente... Lançam foguetes... Em vão.

No dia em que, dificilmente, os apanho e os guardo cá dentro, perco a chave... E eles voltam a fugir... Ou a explodir...

Queria apanhá-los a todos... Juntá-los como um puzzle, porque sei que todos encaixam... Comprar uma cola especial e emoldurá-los em mim... Para que não se soltem mais, para que não fujam mais, para que não expludam mais.

Preocupar-me-ia mais... Se não me tivesse já cansado de correr, de saltar, de rodopiar... E de fingir que não os vejo...

Ceguei-me, calei-me, entupi-me e escondi-me... Para que não me procurem mais, para que não me chateem mais, para que não os oiça mais... Constantemente perdidos, sozinhos e assustados... Constantemente perdida, sozinha e assustada...

Ceguei-me, calei-me, entupi-me e escondi-me... Porque amanhã poderá ser melhor... Porque amanhã poderei querer vê-los, encontrá-los... E colá-los...

Porque o amanhã é o amanhã... E não é o hoje...
E hoje... Hoje não me apetece, não quero mais...

Quero encostar-me, desligar-me... E fingir que nada existe...

Encosto-me, desligo-me e despeço-me... Até amanhã...
Talvez...

terça-feira, maio 15, 2007

"Leva-me a dançar, meu amor..."

Li-o hoje no jornal Destak e tocou-me... Porquê não sei explicar (ou talvez saiba mas não queira), mas entrenhou-se em mim e queria partilhar convosco (contigo).

"Pega em mim, não digas nada, descemos as escadas os dois, entramos no carro e eu sem saber para onde vamos. E depois, para meu espanto, paramos à porta de um sítio qualquer, não importa, a música toca e tu envolves-me nos teus braços e rodopiamos na pista de dança.
Leva-me a dançar...
Se não quiseres sair de casa, então, quando eu entrar em casa esgotada do dia de trabalho, dos transportes, cansada de estar viva, pega-me na mão e leva-me para a sala e põe a tocar uma música suave e dancemos os dois como quando éramos namorados, e o teu coração batia, eu sei que batia, quando me vias chegar.
Leva-me a dançar...
Dá-me um pedacinho de céu, de paixão e ao mesmo tempo daquela calma que vem depois de fazermos amor. Ainda te recordas como era?
Leva-me a dançar, meu amor.
Que os dias são tão tristes, os teus silêncios tão pesados, a minha alma está de luto sem eu saber porquê, talvez porque tu te apartaste mesmo estando aqui.
Leva-me a dançar e depois, se quiseres, se é isso que realmente queres, parte e deixa-me com o sabor da música e as memórias de outros tempos no meu corpo. Agora, assim, os dias inteiros na expectativa de que algo tenha mudado, de que tu, de repente sorrias, ou então me olhes e fales comigo, nem que seja para dizer adeus, nem que seja.
Leva-me a dançar, digo-te eu sem palavras, tu com o rosto cerrado, o olhar fixo no jogo de futebol e eu para aqui, sentada a falar contigo sem abrir a boca. E a sonhar que me pegas pela mão e levas até ao tapete da sala e dançamos os dois."

Autora : Luísa Castel-Branco


O que haverá além da paixão? O que nos espera depois do amor?

segunda-feira, abril 16, 2007

Alcohol

You know that feeling when something's missing?
And you can't say what, you can't say why and you can't say... anything!

Your eyes, your mouth, your hair.... Your touch...
Missing when they look at me.... when it kisses me...
When you touch me and I touch your hair!
When I kiss your lips, your neck, your chest... When I blow you and you scream!!

Pleasure... I miss your pleasure... Come and fill me... With your looks and touch...
You inside me... I wanna feel you... Scratch you, kiss you and... Fuck you!
With pleasure and maybe... Maybe... Some love!

Not only pleasure... Love... Maybe, I miss your love...
Explain me with your lips... Kiss me...
Explain me with your eyes... Flash me...
Explain me with your hands, your fingers... Touch me...

I want to know what's missing!!

quinta-feira, abril 12, 2007

O Outro Mundo

Acordou... A bastante custo...
Levantou-se com o calor dos lençóis a chamar por ela e correu para o chuveiro.

Tinha tempo... Mas queria pôr-se bonita!

Olhou para o espelho e para as tão míticas olheiras e sorriu. Sorriu porque se sentia feliz. Sorriu porque algo puxava o seu sorriso.

O Sol lá fora teimava em esconder-se, mostrando-se apenas para a chamar. Ela dizia-lhe olá e voltava para dentro.

Ligou o computador e pôs a música bem alta. Dançava e dançava tentando decidir o que vestir. Não precisou de muito pois tudo parecia moldar-se à sua forma assentando-lhe na perfeição.
Um par de calças simples, um top engraçado e um casaco para a proteger de uma possível brisa menos agradável.
Nem mais nem menos. No ponto!

A música continuava a tocar enquanto tratava de si. Um pouco de base para disfarçar aquelas manchas escuras debaixo dos olhos, um risco subtil e um gloss que iluminou, ainda mais, o seu sorriso.

O telefone tocou e o coração palpitou, ligeiramente mais forte.

Entre o telefonema e a saída pouco se passou. Ou pouca atenção lhe deu. Queria apenas que o tempo passasse...

Fechou a porta atrás de si e o corpo tremeu.
Acompanhando o, ligeiramente acelerado, batimento cardíaco, desceu as escadas.
O Sol abriu mal pôs o pé na rua aumentando o seu sorriso.

Mal entrou naquele carro sentiu como se tivesse saído do mundo real, entrando num só seu. Era disso que tanto gostava... A sensação de um mundo à parte.

Deslizaram sem destino...
As horas passaram, cheias de tudo e de nada.

Tinha de voltar... Fechou a porta atrás de si. A porta daquele mundo mágico e só dela.
Sorriu pensando em como tinha sentido falta dele e como era bom tê-lo de volta.
Seguiu sem olhar para trás, não querendo pensar na distância...

Mas não se entristeceu por ter ido embora... Alegrou-se por ter regressado. Ainda que por apenas um dia.